domingo, 13 de dezembro de 2009

7h30 da manhã. O rádio ligado quebrava o silêncio da casa, com o locutor eufórico começando sua jornada de trabalho. Não havia mesa posta, nunca houve. A camisola era a da lua-de-mel, já sem o glamour daquela noite em um balneário perdido em algum canto do país. A cama também era a mesma de casada, só o vazio da casa que era diferente. A xícara preta aguardava na pia para ser preenchida com o café forte que tomava todo dia. Passou manteiga em um pedaço de pão sovado. Parada em frente à janela, a xícara nas mãos, olhava os carros passarem alguns andares abaixo. Logo o seu também estaria naquele meio. O locutor calou sua voz. Entrou uma música alegre, mas que pra ela tornara-se fria. Lembranças, lembranças. Malditas lembranças que a música trazia. Ia fazer um ano. Quem se importava, no final?O dia seguia com a mesma naturalidade e o mesmo cinismo dos outros dias. Era só mais uma manhã.

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