domingo, 1 de agosto de 2010

Nas duas últimas noites, fui me deitar ao som dos primeiros bocejos. Não deu outra, foi cair na cama pro sono fugir e os pensamentos tomarem conta da minha cabeça. Ando muito filósofa nos últimos dias, e ando inspirada também. Quase que me levanto no meio da noite, puxo um bloquinho e desando a escrever. Fazia tempo que não me dava essa vontade e espero não desperdiçar esse surto inspiratório.

De dia, as palavras bonitas e arrumadas, os pensamentos profundos e ordenados, desaparecem. Se eu tentar agora escrever sobre tudo aquilo que estava refletindo ontem, não vou conseguir. As palavras, as desgraçadas, só funcionam bem de madrugada. É porque é silencioso, é porque é fresco, é por que? Talvez seja só porque o cérebro descansa, dá um time, e pode se concentrar nessas coisas que as distrações das horas do dia ocupam.

Sei que em dois dias parece que vi de forma bem clara coisas que pareciam soluções ou respostas de uma vida todinha. Engraçado isso... Não que minha vida esteja desorganizada agora, mas talvez esteja inerte demais e eu ande precisando de outra sacudida, mas não a sacudida do ano passado, em que eu joguei tudo pro ar e deixei as coisas sozinhas caírem e se ordenarem. Dessa vez acho que preciso de uma ação mais objetiva, algo mais determinado, algo do tipo "okay, daqui a cinco anos estarei assim e assado".

E eu também tenho que aprender a ter a paciência oriental e aceitar, nem que seja na marra, que não adianta. Não vou poder ter agora o que quero (e só posso) ter em cinco anos. Existem etapas que precisam ser cumpridas, não dá pra acelerar isso. Resta agora só saber como lidar com essa inquietude, pra não desperdiçar muito meu presente nesse afã desesperado de se chegar nesse tão sonhado e glorioso futuro.

Enquanto isso, talvez um pouco mais de organização e determinação caíssem bem. Não que eu seja agora a pessoa mais animada do mundo com o recomeço do semestre, mas o que me dá um ânimo, e dos grandes, é esse recomeço meu, esse meu reencontro com coisas das quais eu gostava em mim, essa despedida lenta e dolorida do que já não me faz bem, e esse meu reencontro com sonhos e coisas que me movem e me fazem ter vontade de seguir em frente com coragem. Só não vale racionalizar demais, que se não tudo perde o sentido de novo...

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