Sinto a cabeça pesada e uma certa falta de disposição. Tomo um chá amargo e vejo que, pelo menos, não estou com febre. Mas entendo agora a tal "cara da derrota" de ontem. Aliás, ontem foi daqueles dias sem sentido e inúteis. Já começa pelo desperdício de se acordar cedo, a contra-gosto, e no final não se ter nenhuma aula. E a tarde, perdida toda dormindo. Sempre fico com peso na consciência quando tiro esses cochilos. Ainda mais porque sei que depois vão me roubar o sono da madrugada. Dito e feito. Lá fui eu, ficar revirando na cama, meio doente já, pensando em toda a minha vida. Toda não. Algo mais entre os sete e os treze anos. Acho que eu queria voltar pra qualquer um dos anos dessa época e parar o tempo lá. A vida era diferente, muito diferente mesmo. Não vou citar aqui minhas reflexões daquelas horas. Pelo menos, não hoje. Queria comprar um moleskine, nunca tive um. Eu sei, comentário suspenso esse. Como quem não tem cão, caça com gato, vou passar depois na papelaria e comprar um caderninho qualquer. Deve suprir minhas necessidades, espero. Já percebi que vou passar a vida buscando recuperar certas coisas minhas, buscando também o lugar onde meu coração vá me dizer "eis, finalmente, o seu lar" e só quando isso acontecer, ficarei sossegada. No resto do tempo, vai ficar essa inquietude toda.
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